20/02/2008

o lado fixe da vida

O meu dicionário pessoal de língua portuguesa ganhou ontem uma palavra nova: "vernheque". O que é que quer dizer vernheque? Não interessa, é uma palavra gira, que soa bem. E isso chega. Ora, vernheque e o lema "olha sempre para o lado fixe da vida (ou da morte)" foram dois dos importantes contributos da peça "Os Melhores Sketches dos Monty Python" para a minha vidinha futura.
Há muito que aguardava impaciente e ansiosamente a oportunidade de ver esta peça. As expectativas eram, portanto, bastante altas mas não saíram defraudadas. Os sketches dos Monty Phython são, como se sabe, deliciosamente parvos. O Nuno Markl também é bastante bom no que toca a parvoíces e fez uma adaptação bastante catita. E aqueles cinco palhaços (no bom sentido do termo) que sobem ao palco estão à altura do desafio.
O trabalho de José Pedro Gomes e António Feio já é sobejamente conhecido e não espanta muito. Jorge Mourato - o actor sobre o qual tinha mais dúvidas, por não associar a este tipo de humor - esteve bem, principalmente quando interpretava papéis femininos. A morte da mãe do criador da piada assassina, protagonizada por ele, foi um dos momentos mais hilariantes da noite. Bruno Nogueira mostrou que sabe ser actor e fazer rir sem utilizar o seu habitual e característico registo monocórdico. Além disso, o facto de ser alto e desengonçado só aumenta o grau de comicidade das cenas onde participa. Mas a principal surpresa da noite foi mesmo Miguel Guilherme, o melhor em palco. Até custa a crer que aquele é o mesmo senhor de ar sisudo que ralha com o Carlitos aos domingos à noite, na série "Conta-me como foi". Muito bom.
Em resumo: gostava de repetir a experiência, não só porque o espectáculo é bom como também porque perdi várias piadas devido à péssima qualidade de som do Coliseu do Porto. Quem me mandou armar em fina e ir ver a peça sentada nos bancos de pedra do Coliseu, a vários quilómetros de distância do palco, em vez de me ter ficado pelas cadeiras almofadadas e fofinhas do Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz? Pois, ninguém. É a chamada estupidez de quem nunca tinha entrado no Coliseu do Porto. Para a próxima já não me enganam. Mas, enfim, vou esquecer esse pormenor. Afinal, há que olhar sempre para o lado fixe da vida. Vernheque.

2 comentários:

Eduardo disse...

olá :)

Gostei da tua análise...

Estou bastante ansioso por ir ver a peça no próximo sábado... Pela curiosidade, pelos actores... mas sobretudo pela tradução!!!

:) fiz uma espécie de antevisão no meu blog sobre a minha ida lá.. :) domingo vejo se também eu fico com o "vernheque" na boca :)

belo blog o teu :)

MS disse...

Delicioso, não é? Muda-nos, altera-nos a perspectiva das coisas, aumenta-nos a vontade de rir das coisas parvas que acontecem...Faz-nos reflectir.
José Pedro Gomes, Miguel Guilherme e Bruno Nogueira são, para mim, os melhores em palco. Mas são todos bons. Bons, óptimos, fantásticos.
Acredito que não tenha sido tão fantástico visto nos bancos de pedra desconfortáveis do Coliseu do Porto. Podias ter perguntado...eu já sabia que aquilo era assim. De facto, perdeste as almofadinhas do CAE, e perdeste com certeza a sensação de ter o Miguel Guilherme a berrar aos teus ouvidos, mesmo atrás de ti. Olhar para ele e ver um mundo, ver a garra e a força nos olhos de um dos melhores actores do teatro português. O pai do Carlinhos é um senhor...

Sem dúvida, duas horas e tal muito bem passadas. Salvaram o meu fim-de-semana chato, quando os vi. Salvaram-me de várias maneiras.

A arte tem essa força...

Beijoca