17/01/2008

(in)utilidade

Às vezes dou por mim a reflectir sobre a inutilidade dos meus dias.
Depois, para compensar a falta de rotinas e obrigações (já que não consigo instituir o relatório de estágio como uma rotina diária) estabeleço objectivos a alcançar. Por exemplo, no início da semana decidi que ia criar a minha terceira aldeia no sector 1 do travian. Agora, com o primeiro objectivo cumprido, o próximo passo é conseguir ultrapassar a fasquia dos 1000 habitantes nas minhas aldeias. Para isso, tenho de manter o computador ligado quase todo o dia e vigiar constantemente o meu jogo - desenvolver campos de cereais e edifícios, atacar outra aldeias e evitar que me ataquem. Ora, isto requer muito empenho e dedicação.

Acho que já ninguém me pode acusar de andar à boa vida ou de me estar a acomodar à ideia de assistir a passagem dos dias sentada confortavelmente num grande sofá sonolento.

Pronto, agora que já provei que sou útil à sociedade, vou ali sentar-me a ver telelixo.

15/01/2008

há músicas assim

há músicas assim. que têm qualquer coisa de especial. que entram dentro de nós e nos fazem cócegas e comichões agradáveis. que nos alegram os dias e nos põem a cantarolar sem darmos conta. que fazem nascer uma réstia de esperança e acreditar que o que quer que nos atormente se vai resolver em breve.
estou a exagerar?
talvez. mas esta música faz-me sentir bem. esta e outras de um disco que aconselho.
músicas leves mas não descartáveis; sonoridades por vezes algo estranhas mas que se entranham (já diz o ditado); a guitarra portuguesa a brincar com a bateria; o acordeão a meter-se no meio do jogo; a voz fantástica de Marisa Pinto que tanto brilha a lamentar o amor (em "Amar como te amei") como a contar estórias 'tugas' em ritmo abrisileirado (em "Zé Lisboa). e uma surpreendente instrumental - "Fragmagens" - a piscar o olho a Rodrigo Leão.


há amores assim
donna maria

Há amores assim
Que nunca têm início
Muito menos têm fim
Na esquina de uma rua
Ou num banco de jardim
Quando menos esperamos
Há amores assim

Não demores tanto assim
Enquanto espero o céu azul
Cai a chuva sobre mim
Não me importo com mais nada
Se és direito ou o avesso
Se tu fores o meu final
Eu serei o teu começo

Não vou ganhar
Nem perder
Nem me lamentar
Estou pronta a saltar
De cabeça contra o mar

Não vou medir
Nem julgar
Eu quero arriscar
Tenho encontro marcado
Sem tempo nem lugar

Je t’aime je t'adore
Um amor nunca se escolhe
Mas sei que vais reparar em mim
Yo te quiero tanto
E converso com o meu santo
Eu rezo e até peço em latim

Sem lágrima caída
Sou dona da minha vida
Sem nada mais nada
De bem com a vida

Quando te encontrar sei que tudo se iluminará
Reconhecerei em ti meu amor, a minha eternidade
É que na verdade a saudade já me invade
Mesmo antes de te alcançar
É a sede que me mata
Ao sentir o rio abraçar o mar

14/01/2008

era uma vez no Porto


Saudades da altura em que valorizava cada minutinho de tempo livre.

Saudades de aproveitar os dias sem compromissos para descobrir os cantinhos bonitos da cidade.

Saudades das parvoíces
vividas na casa-que-afinal-não-era-tão-perfeita-como-parecia-à-primeira-vista-mas-que-mesmo-assim-nem-era-má-de-todo.

13/01/2008

lei do tabaco

Já muito se tem falado sobre a lei do tabaco. Não sou fundamentalista: não acho que as pessoas devam ser obrigadas a deixar de fumar ou tenham de o fazer na rua, de guarda-chuva na mão.
Mas sempre achei que não é justo para os não-fumadores terem de respirar o fumo dos outros. Porque é prejudicial à saúde. Porque é incomodativo. Porque o cheiro impregnado na roupa, no cabelo e na pele são um preço demasiado alto a pagar por uma simples ida a um bar ou discoteca.

Foi com um misto de espanto e alegria que ontem à noite, quando cheguei a casa, me apercebi que a minha roupa cheirava apenas a roupa e que o meu cabelo cheirava ainda a champô. Confesso que, quando entro em espaços públicos, raramente me lembro que já não se pode fumar. Não porque antes o fumo me passasse despercebido, mas porque tudo parece muito mais natural assim. E, por isso, só ontem me apercebi, realmente, que a lei estava ser cumprida.

Ok, talvez a lei tenha de levar alguns ajustes, talvez devam ser criados mais espaços para fumadores. Mas - os fumadores que me desculpem e preparem a armas para me atacar violentamente - eu gosto bem mais das coisas assim.

11/01/2008

tempo suspenso

"Sinto-me a viver numa espécie de tempo suspenso - nem lá nem cá, sem pátria, sem lar, sem vida normal e sem saber até quando".

in Rio das Flores