24/07/2008

Tempo oficialmente suspenso

Dado o abandono a que este blog tem estado votado declaro, oficialmente, suspenso o tempo suspenso. Não é um "Fim"; é um "quem sabe, até um dia".
O blog não vai morrer, mas também não vai viver. Digamos que, durante uns tempos, vai estar em estado vegetativo. Depois, logo se vê - sou a favor da eutanásia em seres humanos mas ainda não decidi se concordo com sua aplicação em blogs. Ou, pelo menos, no meu blog.

De qualquer forma, não abandonei a blogosfera. Fica o convite para passarem no Beethoven de Chocolate: um espaço que junta duas pessoas com sérias dificuldades em manter blogs activos. Um projecto que promete, portanto.

Até lá.

19/06/2008

Portugal

E agora, como é que vão sobreviver os jornais, as televisões, os emigrantes devotos de Portugal e de S. Cristiano Ronaldo e os tugas histéricos dispostos a fazer centenas de quilómetros para ver, ao longe e de relance, a ponta do bigode de Scolari?
As bandeiras que andaram por aí a esvoaçar nas janelas e nos carros são para tirar ou para ficar?
Vale a pena continuar a ser português?

fon fon fon

já estava na altura de alguém escrever uma letra que falasse em filarmónicas e clarinetes!
ainda só ouvi quatro músicas do disco de deolinda, mas acho que já estou a ficar fã... aqui fica o fon fon fon:

18/06/2008

os chineses e os seus produtos bizarros

Que é possível encontrar quase tudo nas lojas dos chineses já se sabe há muito tempo. Mas os senhores de olhos em bico não param de surpreender.
Encontrar uma agenda (barata) em Junho não é fácil, por isso fui procurar ao sítio onde se vende tudo. Às lojas de chineses, claro. E, de facto, encontrei uma agenda. Feia. Enorme. Pouco prática. Ainda assim, uma agenda, em pleno Junho. Só tinha um (pequeno) senão: no interior, todas as folhas marcavam o ano de 2006.
Por acaso, uma agenda de 2006 não me dá muito jeito nesta altura. Contudo, acredito que possa haver por aí pessoas a precisar de viajar no tempo e planificar as suas actividades diárias. Por isso, vou fazer serviço público e deixar aqui a dica: quem precisar de uma agenda grande e feia do ano de 2006, é só dirigir-se à baixa de Coimbra. É naquela loja maior, que tem bugigangas no rés-do-chão e vestuário no primeiro andar. Aquela que, no Natal, costuma ter um Pai Natal à porta, a abanar o rabo e a cantar “Santa Claus is coming to town".

Quem é amiga, quem é?

22/05/2008

Soninho

Ainda não é meia-noite e já tenho sono. Acho que isto resume a minha vida de trabalhadora mais-ou-menos-em-part-time. Não é o trabalho em si que cansa – aliás, ainda estou na fase em que não encaro o jornalismo como trabalho – mas sim o horário que tenho de cumprir. Não percebo porque é que o mundo insiste em acordar antes das dez da manhã. Vou precisar de meses para me habituar a esta rotina…
O que é certo é que, por agora, o meu cérebro adormece pouco depois da hora de jantar. Neste momento estou a “teclar” de forma atabalhoada, tenho dificuldade em juntar as palavras às vírgulas e aos pontos finais. Mais: acho que metade do meu vocabulário está fechado num qualquer compartimento inacessível da minha caixa craniana.
Não, isto não sou eu a arranjar uma desculpa para o facto de não actualizar o blog há imenso tempo. Já desisti de encontrar justificações para o injustificável. No fundo, tudo se resume a uma coisa muito simples: preguiça. Porque eu sou realmente preguiçosa, distraída e desorganizada (a propósito, alguém sabe onde se compram agendas a meio do ano?). De maneiras que quem quiser ler qualquer coisinha da minha autoria é capaz de se safar melhor se procurar aqui.

Prometo voltar a actualizar o tempo-suspenso um dia destes, quando as letras não dançarem no ecrã do meu computador e os meus dedos não fugirem para as teclas erradas.

(eu juro que a minha intenção era enscrever um post com um pouco de interesse, mas o sono não me deixou. Peço desculpa, caro leitor…)

29/04/2008

Tenho um telemóvel que só dá para fazer chamadas. Em pleno século XXI, o meu telemóvel está incapacitado de receber e enviar mensagens, tirar fotografias, filmar, reproduzir mp3, aceder à internet ou sequer bloquear o teclado. O meu nokia decidiu regressar às origens e reduzir as suas potencialidades à função primária dos telefones: telefonar. Um flagelo!
Acho que o deus das novas tecnologias decidiu pôr-me à prova. Estive praticamente quatro dias (quatro!) sem internet. Quatro dias (quatro dias!) sem abrir o gmail, sem actualidade noticiosa, sem cargadetrabalhos.net e net-empregos.pt. As minhas aldeias do travian estiveram quatro dias nas mãos de sitters desconhecidos (mas o travian já não me apoquenta).
Resisti como uma menina crescida. Quase consegui esquecer que vivo – ou o mundo ocidental vive – dependente da internet. No entanto, precisamente no dia em que recupero a internet, o meu telemóvel adoece. São coincidências a mais. O deus das tecnologias só pode estar contra mim.
O meu telemóvel ainda está na garantia, por isso dirigi-me à loja onde o comprei. “Isto deve ser problema de software”, disse-me a empregada com ar entendido (“ena, que novidade”, pensei eu). A coisa correu bem até eu pedir um telemóvel de substituição. A loja – cujo nome não vou divulgar, por delicadeza – não tinha nenhum telemóvel livre. Perante a minha insistência (não posso ficar sem telemóvel!), a senhora foi buscar um nokia 3310 (aquele que todos os jovens sonhavam ter há uns 8 anos atrás) que tinha acabado de receber e que não sabia se funcionava. Fiquei um pouco confusa. Segundo o contrato que eu acabara de assinar, o cliente tem de pagar 5 euros de caução para receber um telemóvel emprestado. Ora, para que serve a caução se depois ninguém confirma se o aparelho é entregue em boas condições? Mistérios. Procedimentos demasiado complexos para o meu entendimento. De qualquer forma, o nokia 3310 – que parecia acabado de sair da guerra e que só ligou à segunda ou terceira tentativa – não aceitou o meu cartão. Estava bloqueado. Sim, porque uma loja que vende telemóveis e cartões de todas as redes tem para empréstimo telemóveis bloqueados. Parece-me uma medida lógica.
Conclusão: voltei para casa com o meu telemóvel uni-função. Agora, vou passar os próximos dias a tentar convencer-me que os telemóveis servem para telefonar.

23/04/2008

Dia do Livro

Aproveitei o Dia do Livro para reflectir sobre as obras que li nos últimos meses. Li coisas bastante boas, coisas medianamente boas e... Paulo Coelho (perdoem-me os apreciadores...).
De entre a boa literatura com que me deliciei, resolvi destacar e sugerir aos caríssimos dois leitores que vagueiam pelo meu estaminé um romance de valter hugo mãe: "O Remorso de Baltazar Serapião".
A história, que se passa na Idade Média, gira em torno de Baltazar, um jovem proveniente de uma família pobre, que tem uma relação peculiar com a sua vaca de estimação (ao ponto de correr na aldeia o boato de que Baltazar e os irmãos são filhos da vaca e não da senhora a quem chamam mãe...). Ora, um dia, Baltazar apaixona-se e casa-se com Ermelinda, a jovem mais bela da aldeia. E é aí que as complicações começam. Como é sabido, a mulher (ser burro e inferior) deve respeitar e obedecer ao seu marido (homem e, portanto, sábio e conhecedor das coisas do mundo). Um bom marido, por seu turno, deve saber "educar" a sua esposa-cognitivamente-limitada . Como? Com pontapés, murros, braços torcidos e olhos arrancados, por exemplo. E é aí que o romance ganha contemporaneidade. Ainda que a forma como o autor escreve – tentando recriar a linguagem da época – tenha muitas vezes um registo quase cómico, é impossível (principalmente para as leitoras do sexo feminino) não sentir revolta pela forma como as mulheres são humilhadas ao longo da história. Uma obra desaconselhada a feministas com problemas cardíacos.

Para quem ainda não está convencido, tenho mais um argumento: “O Remorso de Baltazar Serapião” valeu a valter hugo mãe o Prémio José Saramago, em 2007. Sim, valter hugo mãe também brinca com a pontuação (ou com a falta dela), tal como Saramago. E não gosta de maiúsculas.

Para quem está curioso, deixo ainda um excerto do livro, retirado mais ou menos ao acaso (já o li há uns tempos e já não sei ao certo onde estão as melhores passagens):

“a minha mãe deixava de falar comigo e com o aldegundes, porque lhe saíam coisas de mulher boca fora, e barafustar, como fazia, era encher os ouvidos dos homens com ignorâncias perigosas. uma mulher é ser de pouca fala, como se quer, parideira e calada, explicava o meu pai, ajeitada nos atributos, procriadora, cuidadosa com as crianças e calada para não estragar os filhos com os seus erros. também para não espalhar pela vizinhança a alma secreta da família, que há coisas do decoro da casa que se devem confinar aos nossos. assim se fazia a minha mãe, barafustando de dia, mas liberta das intenções de nos educar coisas inúteis ou falsas, que fizessem de nós rapazes menos homens ou simplesmente iludidos com um mundo que só as mulheres imaginavam."