31/03/2008

a culpa é do telemóvel

A RTP aproveitou o recomeço das aulas para ir à escola Carolina Michaelis falar com alguns estudantes e perceber se os problemas entre professores, alunos e telemóveis são comuns. Um dos entrevistados declarou sem hesitações e com o ar mais natural do mundo:

Eu também foi por causa do telemóvel. Mas não andei assim à luta. Disse só "stôra, dê-me o telemóvel" e depois comecei a chamar-lhe nomes. Não foi grave.

Pois claro, não é nada grave. Quem não se lembra de insultar os professores quando era repreendido nas aulas? Bater é feio; insultar não. Até foi meiguinho, o rapaz.

Não, pensando bem, não acho muito normal. Talvez o jovem estivesse um pouco confuso. Quem será o culpado por este comportamento desajustado? Ah, já sei, só pode ser o telemóvel, esse bicho abominável que hipnotiza as pessoas e as instiga a reagir de forma incorrecta!
Pobres telemóveis, são cada vez mais pequenos e leves mas têm as costas largas...

Ezequias, o macaquinho jornalista


Estava a vaguear pelas memórias guardadas no disco rígido do meu portátil falecido e encontrei algumas fotografias do Ezequias. Para quem não conhece, o Ezequias era o macaco-mascote-companheiro de alguns sócios tolos da Secção de Jornalismo da AAC.
O Ezequias chegou à Sexão nu-como-veio-ao-mundo, mas a nossa alfaiate de serviço fez-lhe um traje académico. O macaquinho nunca mais largou o fato e passou a acompanhar-nos para todo lado. Saía à noite, brincava aos jornalistas com a malta… até tirou fotografias para a plaquete, desfilou no cortejo da Queima e foi ao Chá Dançante. Era um doido!
O Ezequias lembrou-me Coimbra e deixou-me com saudades. Era bom trabalhar (bastante) no meio da (muita) parvoíce. Era bom ter os dias ocupadíssimos mas conseguir arranjar sempre forma de perder (imenso) tempo com palhaçadas. Era bom não ter tempo para dormir. Era bom ir ao Tropical “só para tomar café” e acabar por ficar até ser expulsa, à hora de fechar. Enfim, era bom estar com pessoas que agora praticamente não vejo.
Não queria voltar à mesma vida. Coimbra e a vida de estudante são um período que há muito dei por terminado. Tive a dose certa – se ficasse mais tempo talvez tudo perdesse um pouco do encanto. No entanto, é impossível não ficar nostálgica ao relembrar pequenas coisas – como o macaquinho Ezequias – que tornaram aqueles quatro anos inesquecíveis. Ficam as memórias. E a vida segue dentro de momentos.

27/03/2008

Tropa de Elite

Acabei de ver o filme (ou deveria dizer documentário?) de José Padilha. Ainda estou a digeri-lo.

Sim, já sabia que polícias e habitantes das favelas do Rio de Janeiro não são propriamente os melhores amigos.
Sim, já sabia que oposição clara entre bons e maus, com os bons a saírem sempre vitoriosos, só acontece nos desenhos animados e na ficção-tipo-pastilha-elástica.
Sim, já sabia que o uniforme da polícia não garante incorruptibilidade nem bom senso.
Mas corrupção resolvida com corrupção em dose dupla e a banalização completa da vida humana são coisas que ainda me deixam impressionada.

O que choca não é o filme em si, mas pensar que tudo aquilo acontece realmente. E quase não era precisa a explicação antes do filme para eu acreditar que a história é verdadeira. A personagem interpretada por Wagner Moura chega a ser assustadora de tão dura e real. De certeza que ele não faz uma perninha na BOPE, nas horas vagas? Eu diria que ele invade favelas à noite desde miúdo...

Enfim, faz bem levar um banho de vida real de vez em quando, para perceber como é o mundo fora deste rectângulozinho (apesar de tudo, ainda ) pacato.

26/03/2008

recado

Parece que o tempo anda mesmo suspenso por aqui.
Acontece que a vontade de escrever surge nas alturas menos próprias – quando não estou em casa, ou quando já estou na cama, a tentar dormir. Além disso, acho que escrever posts e mais posts sobre a minha condição de desempregada pode tornar-se aborrecido. E, quando estou em frente ao computador, o (des)emprego afugenta todos os temas interessantes que tentam timidamente captar a minha atenção.
Mas, já que falei de desemprego, aproveito deixar um recado:

Empregados, estudantes e reformados deste país, por favor, não repitam constantemente a pergunta “então, ainda não arranjaste emprego?” a um desempregado. É que, como é que hei-de explicar… é aborrecido. Enerva. Mesmo.

O problema não é a pergunta em si, mas a forma como é feita, quase sempre em tom reprovador. Algumas pessoas vomitam a questão com desprezo, como quem diz “de certeza que nem tens procurado emprego, gostas é de estar à boa vida em casa”. Outras parecem achar piada à situação e falam em tom irónico, como quem morde o lábio para não rir e gritar “ainda não percebeste que com a porcaria de curso que tiraste nunca vais conseguir ter emprego?”.
Ora, tenho uma novidade para os senhores do tipo um: estar em casa sem nada que fazer não é, de todo, sinónimo de boa vida. Pelo contrário, é péssimo e pode causar sérias perturbações mentais (acho que já começo a sentir algumas – se calhar é por isso que estou a escrever este post). Para aqueles que se encaixam no perfil tipo dois, lamento informar que prefiro viver frustrada por não ter conseguido atingir os meus objectivos mas poder dizer que tentei, do que viver igualmente frustrada por fazer o que não gosto durante toda a vida, sem sequer ter tentado a minha sorte.
Gosto de escrever. Gosto de jornais. Gosto de literatura. Gosto de história. Gosto de música. Gosto de conversar.
Tremo quando vejo sangue; não tenho paciência para equações, fórmulas matemáticas, microscópios e bichinhos invisíveis a olho nu; não gosto de rotina; detestava trabalhar fechada numa fábrica.
Em suma, tenho tudo para ser uma caixa de supermercado bastante competente. Mas, de qualquer forma, não desisto de ser jornalista.

Amanhã começa um novo ciclo de e-mails, telefonemas, cartas de apresentação e currículos. Pode ser que um dia tenha sorte. De qualquer forma, prometo tentar não falar (muito) mais de emprego neste blog. Juro que não quero fazer deste espaço um "querido diário".

Obrigadinha pela atenção das duas pessoas que conseguiram chegar ao final deste post enorme. Vá, agora vão lá arranjar qualquer coisa de jeito para fazer.

Ainda aí estão?

19/03/2008

dilema

O que é pior?

Não ter resposta nenhuma
ou
receber respostas contrárias aos nossos desejos?

11/03/2008

novos pecados mortais

Manipulação genética, poluição do ambiente, uso de drogas, aborto, pedófilia e desigualdades sociais fazem parte da lista dos novos pecados mortais, divulgada pelo Vaticano. Justificação: "adaptação dos pecados sociais à realidade da globalização”.

E eu que pensava que a melhor forma de a Igreja se adaptar à realidade do século XXI era acabar com certas e determinadas proibições... Afinal parece que é ao contrário.

Ah, mas quanto à condenação das desigualdades sociais, já houve uma vez um senhor que teve essa ideia e até já foi criada uma religião com base nesse principio. Chama-se comunismo.

05/03/2008

à procura de emprego

Vamos realizar uma entrevista sábado às 9horas, em Moscavide. Os interessados devem enviar um email para xxxxx@xxxxx.pt, com o título ‘vou à entrevista’, porque vocês fazem parte dos 10 primeiros seleccionados, ainda tenho 290 emails para ver.
[Excerto de um e-mail de resposta a uma candidatura a emprego]

Em pouco mais de 24 horas, um anúncio colocado no site "net-empregos" rendeu – a confiar nos dados do mail de resposta – 300 candidaturas. Trezentos jornalistas ou aspirantes a jornalista, como eu, colados ao computador a enviar currículos. Cerca de treze currículos por hora a cair na caixa de e-mail desta empresa.
Será que alguém se dá ao trabalho de ler tanto e-mail? Qual será a melhor hora para enviar a candidatura? Desta vez tive a sorte de conseguir resposta por estar entre as 10 primeiras pessoas a enviar curriculo. Mas já noutras vezes me candidatei mal o anúncio foi colocado online e ninguém me respondeu…
Agora resta saber, entre estes 10 seleccionados, quem está disposto a estar às 9 horas da manhã de sábado em Moscavide, para lutar por um trabalho com horários tramados, sem contrato nem ordenado nos dois primeiros meses, e sem qualquer garantia de permanecer na empresa depois de terminado o "período de escravatura”…
Aposto que mais de metade não vai recusar e que nem vai ser preciso abrir os outros e-mails (que agora já devem ser para aí uns 500)...

01/03/2008

Via Latina nº5


O cheirinho daquelas páginas é inconfundível. Cento e dezanove anos depois, aí está o quinto número da sexta série da revista "Via Latina". Eu já tenho a minha. E o caro leitor, de que é que está à espera?
“Nas linhas da imaginação”, numa banca perto de si [caso viva em Coimbra, claro].