Parece que o tempo anda mesmo suspenso por aqui.
Acontece que a vontade de escrever surge nas alturas menos próprias – quando não estou em casa, ou quando já estou na cama, a tentar dormir. Além disso, acho que escrever posts e mais posts sobre a minha condição de desempregada pode tornar-se aborrecido. E, quando estou em frente ao computador, o (des)emprego afugenta todos os temas interessantes que tentam timidamente captar a minha atenção.
Mas, já que falei de desemprego, aproveito deixar um recado:
Empregados, estudantes e reformados deste país, por favor, não repitam constantemente a pergunta “então, ainda não arranjaste emprego?” a um desempregado. É que, como é que hei-de explicar… é aborrecido. Enerva. Mesmo.
O problema não é a pergunta em si, mas a forma como é feita, quase sempre em tom reprovador. Algumas pessoas vomitam a questão com desprezo, como quem diz “de certeza que nem tens procurado emprego, gostas é de estar à boa vida em casa”. Outras parecem achar piada à situação e falam em tom irónico, como quem morde o lábio para não rir e gritar “ainda não percebeste que com a porcaria de curso que tiraste nunca vais conseguir ter emprego?”.
Ora, tenho uma novidade para os senhores do tipo um: estar em casa sem nada que fazer não é, de todo, sinónimo de boa vida. Pelo contrário, é péssimo e pode causar sérias perturbações mentais (acho que já começo a sentir algumas – se calhar é por isso que estou a escrever este post). Para aqueles que se encaixam no perfil tipo dois, lamento informar que prefiro viver frustrada por não ter conseguido atingir os meus objectivos mas poder dizer que tentei, do que viver igualmente frustrada por fazer o que não gosto durante toda a vida, sem sequer ter tentado a minha sorte.
Gosto de escrever. Gosto de jornais. Gosto de literatura. Gosto de história. Gosto de música. Gosto de conversar.
Tremo quando vejo sangue; não tenho paciência para equações, fórmulas matemáticas, microscópios e bichinhos invisíveis a olho nu; não gosto de rotina; detestava trabalhar fechada numa fábrica.
Em suma, tenho tudo para ser uma caixa de supermercado bastante competente. Mas, de qualquer forma, não desisto de ser jornalista.
Amanhã começa um novo ciclo de e-mails, telefonemas, cartas de apresentação e currículos. Pode ser que um dia tenha sorte. De qualquer forma, prometo tentar não falar (muito) mais de emprego neste blog. Juro que não quero fazer deste espaço um "querido diário".
Obrigadinha pela atenção das duas pessoas que conseguiram chegar ao final deste post enorme. Vá, agora vão lá arranjar qualquer coisa de jeito para fazer.
Ainda aí estão?
26/03/2008
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1 comentário:
Sim, estou, e com muito prazer. Porque entro no teu blog e parece que estou no meu cérebro, a ler os meus pensamentos...
Sim, por favor, parem de fazer essa pergunta parva. É que é sempre da mesma maneira, com o mesmo tom. "Então, já arranjaste emprego?", com um sorriso maroto do género "então, quando é que pedes ao teu pai para te arranjar emprego na fábrica?" ou "então, não tens feito nenhum, não é?"...
Não imaginam o quão depressivo é ter de responder a essa pergunta...
(Keep searching...)
Bjo
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